quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Francisco Carvalho_Parte I
Franscisco Afonso Soares Pereira de Carvalho deixou-se
afundar no banco do balneário dos homens. À frente dele, em cima
do outro banco, o de apoio, que atravessa ao comprido aquela
secção do balneário, dividindo-a ao meio, está um grande saco de
desporto, completamente aberto, o qual, com t-shirts de mangas e
sem mangas, as de algodão, boas e as que já levam vários anos de
uso, as de licra e as antitranspirantes de cores vivas, com as
sweatshirts pretas, brancas, azuis, verdes e cor-de-laranja-enérgico,
incluíndo as que fazem parte do equipamento obrigatório dos
funcionários do ginásio, as calças de treino da ADIDAS, da Nike e as
camufladas da Susana Gateira, de que ele gostava particularmente,
depois, havia também calções, os de correr, os de bicicleta com
reforço de latex nos glúteos e virilhas, os de levantar ferro, feitos de
algodão e com as costuras descosidas, coçados e esboroados por
vinte anos a levantar ferro, as meias e as cuecas várias, e estavam à
vista pelos menos dois pares de ténis, hoje eram uns Nike com três
tons de cinzento, e três texturas de materiais diferentes, cinzentos
com rasgos de verde-lima-devagarinho e os Rebook vermelho-
rapidíssimo com a sola branca em “s” para maior aderência, mais uns
chinelos de enfiar da conhecida marca brasileira, mais artigos de
higiene pessoal cuja enumeração triplicaria o tamanho desta já longa
lista, com tudo isto ocupava ele muito espaço no referido banco de
apoio, para não dizer quase todo, e deixava pouco lugar para as
coisas dos outros, coisa que irritava levemente alguns dos sócios do
ginásio, embora também houvesse uns mais complacentes, que até
faziam o mesmo, assenhorando-se de cada milímetro do banco e do
chão à sua volta, como se tudo lhes pertencesse, ou, não sabendo
eles que não são proprietários exclusivos do ar que os rodeia, agem
como se não existisse mais ninguém a não ser eles próprios, com
uma atitude autista, deficientemente disfarçada, mal disfarçada
portanto, fingindo não reparar no mundo à sua volta, tentando fazer
acreditar que, genuinamente, não repararam nos outros que ali estão.
Por seu lado, Francisco ocupava muito espaço porque precisava.
Não era o tipo de pessoa que traz uma atitude auto-centrada, nem de
superioridade sobre os demais, mas trazia sempre a casa às costas,
e essa é que era a razão de ocupar tanto espaço. O desempenha
das funções no ginásio exigia andar com uma infinita quantidade de
objectos pessoais e isso, achava ele, dava-lhe direitos. Francisco, ele
próprio, ocupava muito espaço onde quer que estivesse, devido às
dimensões do corpo colossal. Além disso, era um tipo que sabia
importar-se com os outros, quando, por alguma razão, pessoal,
sentimental, ou por pura simpatia, queria importar-se com alguém.
Neste momento, em que viemos encontrá-lo, tem tudo espalhado,
mas vai ser por pouco tempo. Já tem vestida a t-shirt elástica, com
rasgos de azul, de formas gráficas, que acentuam a tonicidade do
tronco e braços, e exalam força e dinamismo, já tem os calções
também do mesmo material que se cola ao corpo e permite andar nu
sem verdadeiramente estar nu, estes sendo de um discreto preto,
rasgado com os mesmo traços azuis e com as letras rpm abertas a
branco. Olhou para o relógio, faltavam doze minutos para começar a
aula, e reparou na pulsação, cinquenta e três batimentos por minuto.
Demorou-se uns segundos, de braço esquerdo levantado e flectido,
com o punho próximo da cara, e os olhos fixos no mostrador. Quem o
visse assim, a admirar o número de batimentos do seu próprio
coração, diria que cinquenta e três era um enorme motivo de orgulho.
Na verdade, era vaidade. Tinha um amor pela sua capacidade
cardíaca, conquistada com sangue suor e lágrimas, a levantar muito
ferro, a passar horas intermináveis e dolorosas em cima de bicicletas,
que até lhe custaram um testículo, sim, aquela pulsação era
venerável, cinquenta e três batimentos por minuto, e nem sequer era
em repouso absoluto, porque, nesse caso, o numeral era ainda mais
impressionante, uns inacreditáveis trinta e seis batimentos ao
acordar, o coração batia-lhe tão forte quando estava perto do
despertar que, caso a sua parceira, unida de facto, estivesse deitada
a seu lado, sentiria a cama tremer, e se isto parece um exagero, já
não o é se dissermos que, quando estava assim deitado, a cada
batida do potente órgão, ele sentia o corpo vibrar.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Joana Janes_Parte III
O inglês conduz Joana por ruas e vielas de Londres, como o maestro conduz a orquestra. Gesticula de modo muito enfático e distraidamente, as mãos com aqueles movimentos desarticulados do homem que dirige a sinfonia, e abana muito a cabeça enquanto fala animadamente. Ela ri. Os gestos parecem exagerados mas de alguma forma encontram sentido em Alice, alguma espécie de ressonância acontece nela, como a caixa do piano faz à harpa que recebeu no seu interior, Joana vai reagindo, dizendo que sim, que não, que interessante, que chato, rindo sinceramente do fundo da alma. Agora estão na rua Old Compton e seguem para norte até à praça Soho, passam por entre as árvores da miniatura de alameda, mas o verde aqui parece demasiado pouco, as pessoas demasiadas muitas, estranhas formas de dizer, a segunda tão errada, mas tão engraçada. Naquela praça do Soho sentem-se apertados, eles precisam de mais magia, nenhum dos dois o diz, mas, entre silêncios e olhares desviados, lá se vão entendendo, então o inglês, no centro da pequena praça, vira à esquerda, aponta à rua Carlisle, percorrem-na tranquilamente, não há pressas, voltam à direita na rua Dean, novamente para norte, até saírem do Soho, deixam para trás as lojinhas moderninhas e os bares, e agora descem a rua Oxford em direcção ao parque Hyde. Não andam, flutuam como notas de um divertimento de Scarlatti, o tal divertimento. Chegados ao parque Hyde é bem possível que o inglês polido leve Alice ao memorial da princesa, que é um bom lugar para levar princesas. Na sua polidez, o inglês vai apresentando a cidade à estranha da cabeça partida, levou três pontinhos, e joelho esfolado, passam por mais lojas de moda masculina, feminina, unisexo, um Starbucks, um bazar, uns minutos mais tarde cruzam-se com a Nike Town na esquina com a rua Regent, mas Joana não tem vontade de ir ver ténis nem moda deportiva. Estranha mulher esta, pensa o inglês, tem um ar de miúda, que é menos uma cara infantil e mais uma alegria impoluta de menina, porém, tem a segurança da mulher feita, não lhe dá ilusões nenhumas, ele sabe que apesar de estar a fazer de maestro, não é ele quem dirige o destino dos dois, isto ele lê-lhe nos olhos castanhos claros, estranha mulher que parece estar a borrifar-se para coisas de moda. Lentamente, ao longo destas três horas, o inglês, sem se dar conta, tem vindo a pegar e juntar pequeninas peças de puzzle que constroem a Joana Janes que ele vê, de quem ele ainda nem sabe um nome, nem um sequer um falso, talvez seja por isso que dizemos não vemos os outros verdadeiramente como eles são, vemos como desejamos que sejam. Aproximam-se das árvores de um dos mais agradáveis parques do mundo. No parque Hyde, ou Hyde Park se preferes, entraram pelo vértice oposto aos arcos da Rainha Isabel, também conhecida por A Grande Entrada, porque ficava no seguimento da rua Oxford, de onde eles vinham, e os arcos estão do outro lado, não muito longe, Não tem importância, disse Joana, em resposta à súbita aflição do inglês, por falharem a grandiosa entrada. Seguiram pelo meio das bétulas, dos carvalhos e das aveleiras, dos plátanos e das massivas faias, seguiram pelo labirinto desafogado de troncos que, a cada passo, abre espaços para a alma. Pode ter sido o inglês, que, a mais das feições bonitas, em cada gesto inglesmente polido trazia um charme irreverente, com o qual se esforçava por a impressionar, ou pode ter sido a música do silêncio do parque Hyde, cujas árvores eram donas de uma verticalidade corpulenta mas que parecia não pesar, como se a gravidade não actuasse nelas e simplesmente estivessem suspensas sobre aquele ondulado mar de verde, em ligeiro declive, clareira imensa que, como nuvens carregadas que se abrem rapidamente deixando o céu verter sobre nós sol e calor, instila tranquilidade, à qual as fileiras cerradas de árvores somam um silêncio balsâmico, substituindo os sons urbanos de Londres por um bem-estar delicioso, assim fazendo daquele pedaço de terra um pequeno paraíso, fosse por isto, ou fosse por aquilo, ou por concomitância de ambos, Joana Janes apaixonou-se.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Joana Janes_Parte II
A segunda consequência, de Joana Janes ter olhado para a esquerda quando devia mirar à direita, foi ter dito ao inglês que se chamava Alice. Como já se disse, não foi premeditado. Não foi uma mentira intencional, não houve maldade, também não houve medo, nem pudor de revelar o seu verdadeiro nome a um estranho. Quando aconteceu sair-lhe o nome Alice da boca, foi um espasmo involuntário que lhe deu na língua. Ou terá sido uma afasia selectiva, pergunta que fica no ar, que talvez algum neurologista pudesse explicar, depois de muitas perguntas cognitivas e outras de um carácter inquiridor mais palpável sobre sensações específicas, Menina Joana sente um formigueiro aqui, e ali, e acolá, e se eu lhe apertar este dedo sente, mas sente com que intensidade, diga de zero a dez quanto, e se eu puser este diapasão a vibrar aqui na pequena depressão entre as clavículas, na base do pescoço, sente-o, quanto e aqui no cotovelo e neste tornozelo também sente vibrar, mais ou menos, e a seguir, depois deste sortido de perguntas, viriam as marteladinhas, com o seu martelinho provocador de reflexos condicionados, em ambos os joelhos, nos dois tornozelos e também os cotovelos vão apanhar as marteladinhas que fazem saltar desarticuladamente os membros, e depois destes exames, incluíndo uma ressonância magnética feita num hospital particular e paga com seguro de saúde privado pago pela mãezinha dela, entre outros exames, que aqui não descrevemos para não provocar bocejos compulsivos em quem nos dá atenção, depois disto tudo concluirá o neurologista que Joana Janes às vezes chama-se de outras maneiras, isto é, apresenta outros nomes próprios e outros apelidos, porque sofre inexplicavelmente de atáxia na broca e tem pequeníssimos ataques de epilépsia, que lhe fritam a memória, quando, e apenas quando vai dizer o seu nome próprio a um estranho, é caso para dizer, o cérebro escreve direito por linhas tortas. Haveria o neurologista de correr o mundo com este caso único e ficar famoso. Entretanto, correm as horas desde o acidente, umas três já passaram. Alice e o inglês já foram ao hospital, continuam juntos, estão a tomar um chá, numa rua do Soho, ainda o inglês não se apresentou formalmente, nem caíu na esparrela do nome dela. Alice, alías, Joana, permite a si própria deixar-se entreter pelo inglês sensual, é um divertimento, um divertimento que pode muito bem estar a ser escrito não por Deus mas por um outro deus chamado Domenico Scarlatti. Estes dois juntos assim, a caminhar pela rua, parecem um divertimento do compositor italiano, transcrito, quem sabe pelo intérprete espanhol Segovia, para duas guitarras, está esta barafunda a passar-se agora num passado presente curvo que permite este bizarro encontro de tanta gente, que nunca se poderia encontrar em vida, de tantas nacionalidades e tempos diferentes, um italiano, um espanhol, um inglês e uma portuguesa juntos porque uma Alice que se chama Joana olhou indevidamente para a direita. Real ou irreal, aquilo que podemos ver se olharmos agora é que estão juntos Alice e o inglês, duas notas, semibreves ou semicolcheias ainda não sabemos, mas unidas, depois de terem sido libertadas da massa de caos infinita onde vive tudo o que ainda não é, tornados reais, subtraídos da corda que é o universo, dedilhadas por uma inteligência superior, com uma elegância sublime, sucedem-se em arco, notas que flutuam no ar, numa sequência de alegria tão grandiloquente como nunca se ouviu, riem, falam, trocam olhares, preenchem o ar com a sua música e, nele, ficam a ondular numa harmonia perfeita como só dois acordes são capazes. Está visto que estes dois estão a dois passos de ficarem perdidos de paixão um pelo outro e, apesar de ter sido acidentalmente, como se viu, ainda agora acabaram de travar conhecimento. Mas isso pouco importa nas coisas do amor.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Joana Janes_Parte I
Joana Janes nunca dizia o seu verdadeiro nome. Inventava. Por exemplo, certa vez, a um inglês, com quem manteve uma relação de três anos, um homem de quem gostava muito, na altura até dizia que o amava e que nunca ninguém o amara, nem haveria de amar, tão completamente quanto ela, disse-lhe que se chamava Alice. Não foi uma mentira premeditada. Entre o terem dito a primeira palavra um ao outro, um Olá estranho, e um Olá distraída, no primeiro minuto em que pela primeira vez se viram, e o momento em que ele lhe pediu o nome, Joana Janes não pensou uma única vez que não iria dizer o seu verdadeiro nome ao inglês charmoso e sedutor que a viera socorrer depois de um táxi a atropelar. A culpa foi dos ingleses e a mania de fazerem tudo às avessas dos outros povos, como conduzirem no sentido contrário ao normal, ou então a culpa seria dos adultos que a ensinaram a olhar primeiro para esquerda antes de atravessar uma estrada, e nunca lhe explicaram que um dia que fosse a Londres não se podia esquecer de olhar primeiro para a direita, Pára já, Joana, já te disse para olhares antes de atravessares a rua, disseram-lhe mil vezes os mil pais de acolhimento que Joana Janes teve, mas nunca disseram, Pára já, Joana Janes, e olha para esquerda para ver se vêm carros e, um dia que vás a Londres não te esqueças de olhar primeiro para a direita. São assim estas pequenas coisas que mais tarde vêm a determinar o nosso futuro de maneiras que nem sonhamos. Claro que os mesmos adultos, que a ensinaram a olhar primeiro para esquerda, esses mesmos também lhe ensinaram que logo de seguida, ainda antes de atravessar a estrada, deveria olhar para a direita e depois, novamente, para a esquerda, e, só depois, é que se atravessa a rua, claro, tivesse Joana Janes feito como lhe recomendavam as milhares de recomendações dos mil pais e teria visto o táxi, mesmo olhando primeiro para esquerda, como olhou. Porém, Joana Janes nunca fazia nada do que lhe tinham ensinado, porque, bem, porque simplesmente não fazia. E, assim, vinha a andar pelo passeio numa passada de quem desfila numa passerela, e, tal como acontece num desfile de moda, todas as cabeças, de homens cobiçosos e mulheres, invejosas umas, outras também elas cobiçosas, voltavam-se na sua direcção e, ao aproximar-se da berma da estrada, olhou para esquerda, perdida no seu mundo de príncipes e princesas, de olhos abertos mas sem ver, viu a estrada vazia, pois claro, os automóveis vinham era da direita, e, perdida nesse mundo mais belo que o mundo real, continuou a caminhar com as suas passadas firmes e magnéticas, sem um ligeiro abrandamento sequer, sem ligar ao facto da massa brutal de gente no seu vai e vem diário pela cidade se encontrar parada à espera de algo, era o sinal verde para os peões, mas isso Joana Janes também não viu, furou essa massa, atravessou-se na estrada como se nao fosse mais do que um prolongamento do passeio. Um táxi, que vinha no sentido que os carros devem vir, bateu-lhe em cheio. Um joelho esfolado, uma contusão na cabeça, aparentemente sem grande importância, e um inglês polido, como um verdadeiro inglês deve ser, que insistiu acompanhá-la às urgências do hospital, foram as primeiras consequências de Joana Janes andar na Lua. As segundas, terceiras e quartas consequências, vamos a saber já de seguida.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Patrícia Inácio
Patrícia Inácio, primeira filha de um casal descendente de montes algarvios, irá esta noite agredir o seu companheiro de facto, Rodrigo Santos, alfacinha de nascimento mas não do coração, que todas as sextas feiras, desde há dois anos, larga a cidade onde trabalha e se dirige ao sul, para passar o fim de semana com a mulher e o filho, na casa dos sogros, onde aqueles vivem. Já se comenta entre familiares e amigos, que ela está à espera que ele se mude de vez para junto da esposa, como lhe é devido, e que descompreende isto, dele hesitar em largar tudo e correr atrás dela. Insinuação que corre em surdina, longe de bocas com tendência para a incontinência verbal. Que caibam responsabilidades à mulher nesta situação, nem pensar, primeiro porque, por definição, os maridos são sempre culpados, por isso têm que ser chamados à razão tantas vezes, e segundo, a prova mais evidente, como se fosse preciso, só não vê quem não quer, ele adora a vida que leva, em Lisboa livre de horários familiares a cumprir, sem passar cartão a ninguém. Rodrigo Santos vive sozinho num apartamento recuperado do bairro alto, com três assoalhadas, onde o casal morou dez anos, onde o filho nasceu, e onde um dia deu consigo órfão de família, metade de uma cara, sem a cara que, anos antes, dizia ser a sua metade, e que jurava ser ele aquele que a completava. Porém, mesmo não tendo pedido por isto, nem a Pratícia Inácio, nem aos céus, mesmo assim, qualquer um pode ver que a situação é mesmo vantajosa para ele, isto diz a mulher, durante a semana, ele pode passar noites fora, ou meter em casa quem lhe apetecer, sem que ela venha a saber, tem um mundo de deboche, que, estando mesmo ao alcance da mão dele, e outras partes do corpo, fica bem longe das vistas da mulher, a situação com que todos os homens sonham, é o costume dizer-se. Enquanto ela só alcança uma mão cheia obrigações, nem sonhar dizer que leva uma boa vida. Mas nem o egocentrismo da mulher, que, salvo nas ocasiões raras em que ele conseguiu fazê-la sentir-se no pedestal, uma vez mais irá torturar emocionalmente Rodrigo Santos esta noite, o sábado e o domingo, de tal forma que lhe deixará novas marcas psicológicas, a somar às anteriores, de que, inconscientemente, se lembrará durante toda a semana seguinte, nem a paciência e humildade do homem que, a mais de alguns ocasionais dias de trabalho, se sacrifica à viagem todos os fins de semana, dirigindo o mais rápido que pode, depois de uma semana de trabalho, não raras vezes, com mais de sessenta horas de labuta intensa, assim questionando, ou pelo menos levantando sombras de dúvida, sobre tudo o que se pensa acerca das suas motivações masculinas quanto a viver sozinho em Lisboa, nem isto nem aquilo fizeram reunir até hoje o casal em terras do sul. Mas Deus é grande.
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